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| Estudos Online >> Citações | ||||||||||||||
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“O tratorista havia acabado de dar quatro ou cinco passos no palco, e a história havia apenas começado, quando Capa acionou seus flashes para fazer a primeira foto. Isso interrompeu de imediato o desenrolar da peça. A garota de unhas pintadas escondeu-se atrás de umas samambaias e não voltou a mostrar a cara durante todo o resto da cena. O tratorista esqueceu o texto. A líder de brigada tropeçou e tentou em vão salvar a apresentação. O restante da peça foi representado como um eco, com os atores repetindo as falas sussurradas pelo ponto, de modo que se ouvia tudo em duplicata. E toda vez que estavam prestes a se recompor, Capa disparava seus flashes e os deixava desconcertados. (…) A natureza irresponsável da moça decadente era simbolizada tanto pelo esmalte vermelho das unhas como por um colar de contas de vidro e bijuterias vistosas. E o espoucar dos flashes a deixou tão nervosa que ela rompeu o colar e as contas espalharam-se por todo o palco. Foi aí que a peça desandou de uma vez por todas.” John Steinbeck Durante o mês de Agosto eu costumo ministrar Oficinas sobre uso de flash, uma básica e uma avançada, no Sesc Pompéia. Logo na primeira aula, enquanto eu mostrava uma fotografia de minha Mestra Zen Budista feita com flash durante uma palestra, um dos alunos perguntou se não houve reclamações dela ou da platéia por causa dos clarões provocados a cada disparo. Respondi que naquela ocasião não houve problemas. Éramos inclusive dois fotógrafos trabalhando no registro do evento e tudo correu bem. Nem sempre é o caso. Há locais onde o uso de flash é proibido, como apresentações de teatro, ou restrito a uma pequena parte do evento, como em shows de música. Uma das alunas chegou a comentar que mesmo quando permitido, o flash é um inconveniente para a platéia. Imediatamente lembrei da citação, onde o uso do flash foi desastroso por um lado, e um estrondoso sucesso por outro. Ela foi tirada do livro "Um diário Russo" de John Steinbeck, com fotografias de Robert Capa. Os dois autores visitaram a União Soviética em 1946, quando a Guerra Fria tornava o relacionamento entre Rússia e Estados Unidos cada vez mais difícil. Na época era quase impossível obter qualquer informação que fosse imparcial sobre a URSS nos EUA; na Rússia não era muito diferente. De toda forma, Capa e Steinbeck queriam ver por si próprios como vivia o povo Russo. Simplesmente. Ver, escrever, fotografar, voltar para mostrar. Longe de fingir uma visão imparcial e objetiva, Steinbeck escreve no fim do primeiro capítulo: "O que se vai ler a seguir é o que nos acontecceu. Não é o relato sobre a Rússia, mas apenas um dos possíveis relatos sobre a Rússia." Capa e Steinbeck estão no vilarejo de Chevtchenko e assistem a uma peça de teatro.
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